A morte de Chester Bennington do Linkin Park e a segurança do trabalho

Foi com muita tristeza que recebi a notícia da morte de Chester Bennington do Linkin Park, uma banda que admirei muito durante minha adolescência, época em que (como boa parte dos adolescentes) eu passei por um dilema existencial. Nesse contexto, ouvir o Linkin Park trazia um certo conforto.

As letras das músicas falavam sobre problemas de relacionamentos sociais, eram extravasantes e cantadas por pessoas que confessavam ter tido uma juventude conturbada. E, de forma particular, o sucesso pessoal de Chester passava a mensagem de que eu poderia vencer, afinal o passado dele era mais complicado que meu presente: E lá estava ele no topo.

Nessa postagem vou tratar de uma questão que contribui significativamente com boa parte dos acidentes de trabalho, se não é o maior fator de acidentes do trabalho. Uma questão do cotidiano que, muitas vezes, é desprezada ou tratada de forma superficial, porém poderia evitar muitos dos acidentes no ambiente de trabalho. E essa reflexão se deu justamente pela morte de Chester.

Se você imaginar o líder de uma das bandas mais importantes do início do século, reconhecido globalmente, com um nível de sucesso tremendo e pai de uma família com seis filhos , não vai compreender como essa pessoa poderia tirar a própria vida.

Essa postagem se trata justamente disso, não sabemos o que passa no coração das pessoas, não sabemos os dilemas que as pessoas estão vivendo. Se alguém está atormentado ao ponto de tirar a própria vida, imagine uma pessoa atormentada num ambiente de trabalho repleto de cobranças e responsabilidades.

Veja que no caso do Chester. Quando ele tirou sua vida, as condições pareciam favoráveis ou pelo menos melhores do que das pressões dos locais de trabalho. Então, imagine uma pessoa em estado emocional debilitado, o quanto ela está suscetível a causar acidentes, não somente colocando em risco sua integridade como de toda a equipe.

Então, ficar imaginando que tudo está sempre bem com as pessoas sem fazer uma boa observação dessa questão é um grande erro, pois todos temos nossos “fantasmas”. O livro de Eclesiástico contém uma afirmação muito inteligente: ” o tempo ruim sobrevém a todos”, ou seja, cada um de nós irá passar por problemas nessa jornada chamada vida.

Mas, alguém pode questionar : Na minha empresa temos o “emociograma” e ele não está lá para atenuar essa questão? A resposta é: Jogue o “emociograma” no lixo, ele não funciona. As pessoas não querem expor seus sentimentos de tristeza, depressão ou tormento. Dê uma olhada nas redes sociais e veja quantas pessoas estão compartilhando suas frustrações.

Mas o que pode ser feito? Vamos às minhas sugestões:

1. Crie um clima de confiança sabendo posicionar-se em favor das pessoas que passam por algum problema (que não parecem bem), demonstrando que o fato de estarem passando por alguma dificuldade não é uma ameaça para o seu emprego.

2 “Tete-a-tete”: saiba conversar com as pessoas e avaliar as situações. Um gestor ou um técnico de segurança do trabalho que saiba compreender que as pessoas são mais importantes que os resultados têm melhores condições de identificar um problema. Por isso, é importante saber perguntar se as pessoas estão bem.

3. Fique atento à situações específicas que podem abalar o grupo, como corte de orçamentos e de projetos, demissão de pessoal, reclamações injustas de clientes e etc.

4. Não subestime os sentimentos das pessoas. Tenha em mente que a tristeza e a depressão são sentimentos reais e nunca podem ser encarados como um exagero. Realmente devemos entender (repito) que não sabemos o que está acontecendo na vida das pessoas, em suas batalhas pessoais.

5. Aproveite todas as oportunidades para elogiar em público, chame a atenção apenas no privado e não faça chacotas de nenhuma maneira.

6. Estimule as pessoas a terem um registro de suas preocupações, pois colocar no papel as preocupações que estão agitando a mente, pode ajudar você a esquecer por um momento aquilo que não vai resolver no momento.

Por fim, outro dia, conversando com um amigo, ele dizia que estava, há 30 anos, trabalhando numa grande mineradora e que nenhum dos seus imediatos diretores havia lhe perguntado se ele estava bem, nem mesmo uma única vez. Ele constatava o que está nesse artigo, viu acidentes ocorrerem pela indiferença dos gestores em relação ao estado emocional das pessoas que não gostam de serem vistas como recursos.

PS.: Quando terminava de escrever esta postagem minha irmão me lembrou de uma matéria muito interessante e que se assemelha ao que escrevi, vale a pensa ler também, segue link: Jovem pede folga para cuidar da saúde e e-mail de CEO surpreende

 

 

 

 

Rodrigo Oliver
Engenheiro de Segurança do Trabalho / Higienista Ocupacional 
PRO-LIFE ENGENHARIA
e-mailrodrigo@prolifeengenharia.com
“E todo aquele que evocar o nome do Senhor será salvo” Atos 2:21

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Rodrigo Oliver
Sou Engenheiro de Segurança do Trabalho e Higienista Ocupacional, daqueles que estão sempre falando de segurança, então a ideia é compartilhar com vocês as coisas que acredito e que têm possibilitado um grande sucesso na nossa empresa. Aqui são dezenas de pessoas trabalhando para encontrar a solução mais incrível na redução dos acidentes de trabalho e das doenças ocupacionais.